sábado, 10 de abril de 2010

Marcelino Galo faz balanço e se articula para a próxima eleição



O ex-superintendente federal da Secretaria Especial da Aquicultura e Pesca, Marcelino Galo, já está com o time em campo na busca por votos. Assim que se desincompatibilizou do cargo, tratou de realizar um encontro com todas as lideranças do setor pesqueiro e agentes que militam na área para fazer um balanço da própria gestão. A avaliação dele é que 2009 foi um ano importante para a pesca e aquicultura, antes desestruturada. Deixando de lado os avanços na área e direcionando os interesses com vistas às próximas eleições, Galo, que é candidato a deputado estadual, disse que pretende focar agora no combate à pobreza. Sobre uma possível aliança com o PR, ele defendeu que o PT seja "protagonista no processo” de definição da chapa.
Fonte - TribunadaBahia - Publicada: 09/04/2010 00:34 Atualizada: 09/04/2010 00:33

Valmir Assunção: um deputado que incomodou as elites dominantes

Valmir Assunção nasceu no distrito de Nova Alegria, em Itamaraju, na região extremo-sul da Bahia. Lá iniciou sua vida de militante nas organizações de jovens da Igreja Católica. Participou da fundação do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) na Bahia e esteve à frente da primeira ocupação do movimento no Estado.
Foi o primeiro negro e nordestino a integrar a direção nacional do MST e é hoje uma das suas principais expressões. Foi candidato a deputado estadual nas eleições de 1998 e 2002. Assumiu o mandato em 4 de janeiro de 2005 com o compromisso de lutar pela destinação das terras devolutas para a reforma agrária e pela regulamentação do plantio do eucalipto.
Valmir Assunção foi vice-líder da bancada do PT, presidiu a Comissão Especial de Assuntos da Comunidade Afro-descendente, vice-presidente da Comissão de Agricultura e Política Rural e membro das comissões especiais da Fome e do Cacau.
Assunção defende a retomada das lutas sociais pelas organizações políticas de esquerda e a disputa dos rumos do PT e do governo Lula. Defende ainda a inclusão da questão ambiental na agenda dos movimentos sociais, por considerá-la indissociável da luta de classes. Segundo ele, há uma crise de paradigmas e o socialismo tem que ser construído na luta do dia a dia.
O mandato de Valmir “colocou o dedo na ferida” e incomodou as elites dominantes, que não suportam a idéia de um excluído, inconformista das injustiças, furar os bloqueios e engajar-se na tarefa de transformação da ordem capitalista, levantando novas possibilidades para um projeto de sociedade.
Em janeiro de 2007, assumiu a pasta inédita de secretário do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza do Estado (SEDES). Esta é uma grande responsabilidade, que foi aceita devido ao respaldo dos 68 mil e 302 votos, que o fizeram deputado estadual mais votado do PT na Bahia.
Depois de ter consultado as lideranças das bases construtoras do mandato – como as do MST, PT, Ceta, Movimento Negro, indígenas, sem-teto, prefeitos, vereadores, lideranças religiosas e políticas -, é que aceitou essa missão de construir a nova Secretaria, antes apenas de combate à pobreza, mas que, a partir de janeiro de 2007, com as novas diretrizes políticas, assume modalidades diferentes e mais comprometidas com o desenvolvimento social.
Somente com um processo de amadurecimento da Democracia foi possível que um sem-terra, negro, de Nova Alegria, fosse nomeado secretário de Estado.
Valmir Assunção é pré-candidato a Deputado Federal

sexta-feira, 9 de abril de 2010

DIA 15 GREVE NO SAMU 192 DE ILHÉUS

O intimato foi dado e o municipio terá que dar um aumento justo para os médicos do SAMU 192 de Ilhéus.
A desculpa de não ter dinheiro não é verdade e todos sabem, pois enquanto os cargos duplos não forem extintos nenhum profissional da prefeitura terá aumento salarial.Um exemplo simples está no próprio SAMU, onde temos varios cargos de pessoas que tem cargos do alto escalão da SECRETARIA DE SAÚDE.NA FOTO ACIMA TEMOS: ADRIADINA SOARES E ANDREA DICKIE, ambas com cargos no SAMU e uma é chefe do RH e a outra é coordenadora de média e alta complexidade da saúde. Ai eu pergunto: Isso pode? Lei mais no A Mala Direta.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

MAIS UMA MULTA PARA NEWTON LIMA: R$ 20 MIL


O TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS DO ESTADO DA BAHIA, no uso de suas atribuições constitucionais, legais e regimentais e com arrimo nos arts. 71, VIII da Constituição da República, 91, XIII da Constituição Estadual, 68 e 71, e seus incisos, da Lei Complementar nº 006/91, e 13, § 4º da Resolução nº 627/02, e
considerando os fatos apontados nos relatórios de análise do exercício financeiro de 2008, de responsabilidade do Sr. Newton Lima Silva, gestor da Prefeitura Municipal de Ilhéus, todos eles devidamente constatados e registrados no processo de prestação de contas nº 08134/09, sem que tivessem sido satisfatoriamente justificados;
considerando... descumprimento das normas legais e regulamentares, ...da Lei nº 8.666/93 em face da ausência de licitações de R$ 3.768.576,00 em casos legalmente exigíveis e fragmentação de despesa de R$ 148.151,00 para fugir ao procedimento, totalizando R$ 3.916.727,00 (fls. 575 a 598); reincidência na inexpressiva cobrança da dívida ativa; reincidência no descumprimento do prazo estipulado na Resolução nº 1254/07, relativa a informações com publicidade; despesas de R$ 303.959,79 realizadas indevidamente com recursos do FUNDEB, em desvio de finalidade; omissão na cobrança de multas e ressarcimentos imputados a agentes políticos do Município; ...descumprimento do prazo estipulado na Resolução nº 1123/05, relativa aos anexos de obras e licitações e outras ocorrências consignadas no Relatório Anual expedido pela CCE, notadamente atraso na remuneração dos profissionais do magistério, em julho, contratação de pessoal sem concurso público, ferindo o art. 37, inciso II da Constituição Federal, em janeiro, abril, junho, setembro, outubro e dezembro, dentre outras,
RESOLVE
Imputar ao Sr. , Municipal Newton Lima Silva, Prefeito Municipal de Ilhéus com base no art. 71, inciso I, da Lei Complementar nº 006/91, multa no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a ser recolhida aos cofres públicos municipais, na forma do art. 72, 74 e 75 do mencionado diploma legal.
SALA DAS SESSÕES DO TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS, em 10 de fevereiro de 2010.
Cons. Francisco de Souza Andrade Netto
Presidente
Cons. Paolo Marconi
Relator

terça-feira, 6 de abril de 2010

A Estratégia eleitoral da Globo: A reprise de 2006. Agora, como farsa

Por Luiz Carlos Azenha
Em 2005 e 2006 eu era repórter especial da TV Globo. Tinha salário de executivo de multinacional. Trabalhei na cobertura da crise política envolvendo o governo Lula.
Fui a Goiânia, onde investiguei com uma equipe da emissora o caixa dois do PT no pleito local. Obtivemos as provas necessárias e as reportagens foram ao ar no Jornal Nacional. O assunto morreu mais tarde, quando atingiu o Congresso e descobriu-se que as mesmas fontes financiadoras do PT goiano também tinham irrigado os cofres de outros partidos. Ou seja, a “crise” tornou-se inconveniente.
Mais tarde, já em 2006, houve um pequena revolta de profissionais da Globo paulista contra a cobertura política que atacava o PT mas poupava o PSDB. Mais tarde, alguns dos colegas sairam da emissora, outros ficaram. Na época, como resultado de um encontro interno ficou decidido que deixaríamos de fazer uma cobertura seletiva das capas das revistas semanais.
Funciona assim: a Globo escolhe algumas capas para repercutir, mas esconde outras. Curiosamente e coincidentemente, as capas repercutidas trazem ataques ao governo e ao PT. As capas “esquecidas” podem causar embaraço ao PSDB ou ao DEM. Aquela capa da Caros Amigos sobre o filho que Fernando Henrique Cardoso exilou na Europa, por exemplo, jamais atenderia aos critérios de Ali Kamel, que exerce sobre os profissionais da emissora a mesma vigilância que o cardeal Ratzinger dedicava aos “insubordinados”.
Aquela capa da Caros Amigos, como vimos estava factualmente correta. O filho de FHC só foi “assumido” quando ele estava longe do poder. Já a capa da Veja sobre os dólares de Fidel Castro para a campanha de Lula mereceu cobertura no Jornal Nacional de sábado, ainda que a denúncia nunca tenha sido comprovada.
Como eu dizia, aos sábados, o Jornal Nacional repercute acriticamente as capas da Veja que trazem denúncias contra o governo Lula e aliados. É o que se chama no meio de “dar pernas” a um assunto, garantir que ele continue repercutindo nos dias seguintes.
Pois bem, no episódio que já narrei aqui no blog eu fui encarregado de fazer uma reportagem sobre as ambulâncias superfaturadas compradas pelo governo quando José Serra era ministro da Saúde no governo FHC. Havia, em todo o texto, um número embaraçoso para Serra, que concorria ao governo paulista: a maioria das ambulâncias superfaturadas foi comprada quando ele era ministro.
Ainda assim, os chefes da Globo paulista garantiram que a reportagem iria ao ar. Sábado, nada. Segunda, nada. Aparentemente, alguém no Rio decidiu engavetar o assunto. E é essa a base do que tenho denunciado continuamente neste blog: alguns escândalos valem mais que outros, algumas denúncias valem mais que outras, os recursos humanos e técnicos da emissora — vastos, aliás — acabam mobilizados em defesa de certos interesses e para atacar outros.
Nesta campanha eleitoral já tem sido assim: a seletividade nas capas repercutidas foi retomada recentemente, quando a revista Veja fez denúncias contra o tesoureiro do PT. Um colega, ex-Globo, me encontrou e disse: “A fórmula é a mesma. Parece reprise”.
Ou seja, podemos esperar mais do mesmo:
– Sob o argumento de que a emissora está concedendo “tempo igual aos candidatos”, se esconde uma armadilha, no conteúdo do que é dito ou no assunto que é escolhido. Frequentemente, em 2006, era assim: repercutindo um assunto determinado pela chefia, a Globo ouvia três candidatos atacando o governo (Geraldo Alckmin, Heloisa Helena e Cristovam Buarque) e Lula ou um assessor defendendo. Ou seja, era um minuto e meio de ataques e 50 segundos de contraditório.
– O Bom Dia Brasil é reservado a tentar definir a agenda do dia, com ampla liberdade aos comentaristas para trazer à tona assuntos que em tese favoreçam um candidato em detrimento de outro.
– O Jornal da Globo se volta para alimentar a tropa, recorrendo a um grupo de “especialistas” cuja origem torna os comentários previsíveis.
– Mensagens políticas invadem os programas de entretenimento, como quando Alexandre Garcia foi para o sofá de Ana Maria Braga ou convidados aos quais a emissora paga favores acabam “entrevistados” no programa do Jô.
A diferença é que, graças a ex-profissionais da Globo como Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Mello e outros, hoje milhares de telespectadores e internautas se tornaram fiscais dos métodos que Ali Kamel implantou no jornalismo da emissora. Ele acha que consegue enganar alguém ao distorcer, deturpar e omitir.
É mais do mesmo, com um gostinho de repeteco no ar. A história se repete, agora com gostinho de farsa.
Querem tirar a prova? Busquem no site do Jornal Nacional daquele período quantas capas da Veja ou da Época foram repercutidas no sábado. Copiem as capas das revistas que foram repercutidas. Confiram o conteúdo das capas e das denúncias. Depois, me digam o que vocês encontraram.
Fonte: Página 13

quinta-feira, 1 de abril de 2010

URUÇUCA: O ELEFANTE BRANCO DA CULTURA

Autor: Wesley Novais
Uruçuca, terra de escritor, jornalista, poeta e trovador. Cidade pacata, rica em talentos na arte da música, dança e teatro. Filhos ilustres de Uruçuca já provaram que o sucesso é a união da competência com a oportunidade, desde Róbio de Jesus, o saudoso Binho do Pastelão a Vander Veldes, o Vander Aguiar, que brilha no Rio de Janeiro, em busca de um lugar ao sol.
Há dois anos atrás, a cidade teve o privilégio de vê um desses filhos artistas exibir o seu talento em uma novela da globo, na representação de Danilo, o popular Piriquitinha, estrelando um personagem de pouca expressão na novela "Duas Caras", porém, os conterrâneos sentiam-se parte daquele trabalho.
A juventude uruçuquense já experimentou momentos importantes quando o Grupo Jovem em Busca da Fé Cristã(J.B.F.C) realizava no Cine Uruçuca e no Clube Social, o evento denominado "O Jovem quer Saber"; A Postoral da Juventude(P.J) realizava a "Semana Jovem", ambos com o propósito de integrar os jovens, através de palestras, apresentações artísticas e mobilização social. Naquela época a comunidade não dispunha de um Centro Cultural. Tudo era no improviso. Hoje a cidade dispõe de um espaço qualificado, o Centro Cultural Água Preta, mas não tem os atores responsáveis pela vida artística e cultural. Os jovens estão cada vez mais dispersos, sem oportunidades, aqueles que não arriscam suas vidas longe de sua terra, entregam-se às drogas e às bebidas alcoólicas.
A Prefeitura Municipal através da Secretaria de Educação e Cultura tem dado um show de incompetência e irresponsabilidade social. Demonstrando que não tem compromisso nem projetos em favor da juventude. Com praticamente um ano e meio de governo do Sr.Moacyr Leite, o Centro de Cultura Água Preta serve apenas para atos institucionais, enquanto o principal objetivo foi esquecido por quem deveria incentivar.

PROMESSA DE CAMPANHA DE MOACYR LEITE EM 2008

Quem participou da campanha eleitoral de 2008, lembrará muito bem do que irei falar agora.
Trata-se do Pinóquio milagroso MOACYR LEITE. Tantas foram as vezes que ouvi nos palanques da vida o tema “dá o peixe para o povo de Uruçuca”Isso mesmo!!!Falava-se muito da falta de compromisso do gestor daquela época, que tinha levado oito anos sem entrega do peixe ao povo na semana santa. Ora,ora.Isso é uma verdadeira HUMILHAÇÂO!!!Quer dizer falta de compromisso com o povo que acreditou em suas 1001 mentiras. O bom é que como No ano passado, creio eu que ninguém morrerá de fome na sagrada sexta-feira santa. Pois acredito eu que o prefeito estará orando para que todos consiga o seu alimento sagrado.Bom,não sei se suas orações servirá para esse ano,já que estamos às vésperas do dia sagrado,talvez sirva para ano que vem.Quem sabe NE?!! Pois é, ele como é um cara de vários projetos teóricos pode muito bem fazer um lago artificial. Aí coloca lá uns peixinhos e ano que vem dará as varas para o povo pescar. Bom,ele como é muito imprevisívo, vai saber se ele fará como fizeram com esses pobres coitados da foto logo acima.
Sugiro a todos o prato do dia sagrado.

TRAÍRA E ROUBALO. QUER DIZER,(TRAIRA E RUBALO)

BOM APETITE!!!!

PREFEITURA DE URUÇUCA PODE PARTICIPAR DE PREMIAÇÃO

Sempre divulgando que a sua gestão a frente do Governo Municipal vai muito bem e que as coisas boas vão para os alunos, este é um bom momento Prefeito Moacyr provar isso. Claro, do Prefeito e suas subordinadas, se inscrevendo para concorrer ao Prêmio Gestor Eficiente da Merenda Escolar.
Fica o desafio!

Prêmio da merenda escolar abre inscrições

Estão abertas as inscrições para a sétima edição do Prêmio Gestor Eficiente da Merenda Escolar. Promovido pela ONG Ação Fome Zero, o certame objetiva selecionar as melhores práticas do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e disseminar as experiências bem sucedidas para outras localidades. Os municípios interessados podem se inscrever até 15 de maio, via internet, ou por meio do formulário impresso enviado pela ONG a todas as prefeituras do país. No total, serão 25 premiados: quatro em cada região do Brasil; três referentes ao tamanho e características dos municípios, e dois em categorias que destacam as cidades pelos projetos especiais que desenvolvem.

Lula elogia greves de professores em conferência de educação

Ao discursar na Conferência Nacional de Educação para cerca de 3.000 pessoas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as paralisações de professores também ajudam o governo a formular políticas públicas. Em mais um recado para a oposição, o presidente disse que os professores nos últimos 30 anos tiveram a “profissão judiada, sucateada, e muitas vezes mal tratada”. Veja abaixo um trecho do discurso.

Uma data infausta: 46 anos depois

Por Caio N. de Toledo
Há 46 anos – na data em que o imaginário popular consagra como o “dia da mentira” – era rompida a legalidade democrática implantada no Brasil com o fim da ditadura do Estado Novo (1937-1945). Apenas os órfãos da ultradireita brasileira talvez se atrevam a comemorar publicamente o 1º. de abril de 1964; civis e militares que o fizerem serão falcões pingados em bizarros cenários.Leia mais »
Fomte: Página13

quarta-feira, 31 de março de 2010

A candidatura "quinta-coluna" da Senhora dos "verdes" mostrou sua cara e com quem terá compromissos. Os velhos tucanos amigos de FHC!
Confira matéria completa no politicalivre.

Senadora Marina Silva, pré-candidata do PV à Presidência
A senadora Marina Silva, pré-candidata do PV (Partido Verde) à Presidência, deve apoiar Aécio Neves (PSDB-MG) e Itamar Franco (PPS-MG) caso os dois concorram ao Senado em Minas Gerais, informa a coluna de Mônica Bergamo, publicada nesta quarta-feira na Folha.

segunda-feira, 29 de março de 2010

A linguagem do preconceito

Virou moda dizer que “Lula não entende das coisas”. Ou “confundiu isso com aquilo”. É a linguagem do preconceito, adotada até mesmo por jornalistas ilustres e escritores consagrados
Por Bernardo Kucinski
Um dia encontrei Lula, ainda no Instituto Cidadania, em São Paulo, empolgado com um livro de Câmara Cascudo sobre os hábitos alimentares dos nordestinos. Lula saboreava cada prato mencionado, cada fruta, cada ingrediente. Lembrei-me desse episódio ao ler a coluna recente do João Ubaldo Ribeiro, “De caju em caju”, em que ele goza o presidente por falar do caju, “sem conhecer bem o caju”. Dias antes, Lula havia feito um elogio apaixonado ao caju, no lançamento do Projeto Caju, que procura valorizar o uso da fruta na dieta do brasileiro.
“É uma pena que o presidente Lula não seja nordestino, portanto não conheça bem a farta presença sociocultural do caju naquela remota região do país…”, escreveu João Ubaldo. Alegou que Lula não era nordestino porque tinha vindo ainda pequeno para São Paulo. E em seguida esparramou citações sobre o caju, para mostrar sua própria erudição. Estou falando de João Ubaldo porque, além de escritor notável, ele já foi um grande jornalista.
Outro jornalista ilustre, o querido Mino Carta, escreveu que Lula “confunde” parlamentarismo com presidencialismo. “Seria bom”, disse Mino, “que alguém se dispusesse a explicar ao nosso presidente que no parlamentarismo o partido vencedor das eleições assume a chefia do governo por meio de seu líder…” Essa do Mino me fez lembrar outra ocasião, no Instituto Cidadania, em que Lula defendeu o parlamentarismo.
Parlamentarista convicto, Lula diz que partidos são os instrumentos principais de ação política numa democracia. Pelo mesmo motivo Lula é a favor da lista partidária única e da tese de que o mandato pertence ao partido. Em outubro de 2001, o Instituto Cidadania iniciou uma série de seminários para o Projeto Reforma Política, aos quais Lula fazia questão de assistir do começo ao fim. Desses seminários resultou um livro de 18 ensaios, Reforma Política e Cidadania, organizado por Maria Victória Benevides e Fábio Kerche, prefaciado por Lula e editado pela Fundação Perseu Abramo.
Clichês e malandragem
Se pessoas com a formação de um Mino Carta ou João Ubaldo sucumbiram à linguagem do preconceito, temos mais é que perdoar as dezenas de jornalistas de menos prestígio que também dizem o tempo todo que “Lula não sabe nada disso, nada daquilo”. Acabou virando o que em teoria do jornalismo chamamos de “clichê”. É muito mais fácil escrever usando um clichê porque ele sintetiza idéias com as quais o leitor já está familiarizado, de tanto que foi repetido. O clichê estabelece de imediato uma identidade entre o que o jornalista quer dizer e o desejo do leitor de compreender. Por isso, o clichê do preconceito “Lula não entende” realimenta o próprio preconceito.
Alguns jornalistas sabem que Lula não é nem um pouco ignorante, mas propagam essa tese por malandragem política. Nesse caso, pode-se dizer que é uma postura contrária à ética jornalística, mas não que seja preconceituosa. Aproveitam qualquer exclamação ou uso de linguagem figurada de Lula para dizer que ele é ignorante. “Por que Lula não se informa antes de falar?”, escreveu Ricardo Noblat em seu blog, quando Lula disse que o caso da menina presa junto com homens no Pará “parecia coisa de ficção”. Quando Lula disse, até com originalidade, que ainda faltava à política externa brasileira achar “o ponto G”, William Waack escreveu: “Ficou claro que o presidente brasileiro não sabe o que é o ponto G”.
Outra expressão preconceituosa que pegou é “Lula confunde”. A tal ponto que jornalistas passam a usar essa expressão para fazer seus próprios jogos de palavras. “Lula confunde agitação com trabalho”, escreveu Lucia Hippolito. Empregam o “confunde” para desqualificar uma posição programática do presidente com a qual não concordam. “O presidente confunde choque de gestão com aumento de contratações”, diz o consultor José Pastore, fonte habitual da imprensa conservadora.
Confunde coisa alguma. Os neoliberais querem reduzir o tamanho do Estado, o presidente quer aumentar. Quer contratar mais médicos, professores, biólogos para o Ibama. É uma divergência programática. Carlos Alberto Sardenberg diz que Lula “confundiu” a Vale com uma estatal. “Trata-a como se fosse a Petrobras, empresa que segundo o presidente não pode pensar só em lucro, mas em, digamos, ajudar o Brasil.” Esse caso é curioso porque no parágrafo seguinte o próprio Sardenberg pode ser acusado de confundir as coisas, ao reclamar de a Petrobras contratar a construção de petroleiros no país, apesar de custar mais. Aqui, também, Lula não fez confusão: o presidente acha que tanto a Vale quanto a Petrobras têm de atender interesses nacionais; Sardenberg acha que ambas devem pensar primeiro na remuneração dos acionistas.
Filosofia da ignorância
A linguagem do preconceito contra Lula sofisticou-se a tal ponto que adquiriu novas dimensões, entre elas a de que Lula teria até problemas de aprendizagem ou de compreensão da realidade. Ora, justamente por ter tido pouca educação formal, Lula só chegou aonde chegou por captar rapidamente novos conhecimentos, além de ter memória de elefante e intuição. Mas, na linguagem do preconceito, “Lula já não consegue mais encadear frases com alguma conseqüência lógica”, como escreveu Paulo Ghiraldelli, apresentado como filósofo na página de comentários importantes do Estadão. Ou, como escreveu Rolf Kunz, jornalista especializado em economia e também professor de filosofia: “Lula não se conforma com o fato de, mesmo sendo presidente, não entender o que ocorre à sua volta”.
Como nasceu a linguagem do preconceito? As investidas vêm de longe. Mas o predomínio dessa linguagem na crônica política só se deu depois de Lula ter sido eleito presidente, e a partir de falas de políticos do PSDB e dos que hoje se autodenominam Democratas. “O presidente Lula não sabe o que é pacto federativo”, disse Serra, no ano passado. E continuam a falar: “O presidente Lula não sabe distinguir a ordem das prioridades”, escreveu Gilberto de Mello. “O presidente Lula em cinco anos não aprendeu lições básicas de gestão”, escreveu Everardo Maciel na Gazeta Mercantil.A tese de que Lula “confunde” presidencialismo com parlamentarismo foi enunciada primeiro por Rodrigo Maia, logo depois por César Maia, e só então repetida pelos jornalistas. Um deles, Daniel Piza, dias depois dessas falas, escreveu que “só mesmo Lula, que não sabe a diferença entre presidencialismo e parlamentarismo, pode achar que um governante ter a aprovação da maioria é o mesmo que ser uma democracia no seu sentido exato”.
Preconceito é juízo de valor que se faz sem conhecer os fatos. Em geral é fruto de uma generalização ou de um senso comum rebaixado. O preconceito contra Lula tem pelo menos duas raízes: a visão de classe, de que todo operário é ignorante, e a supervalorização do saber erudito, em detrimento de outras formas de saber, tais como o saber popular ou o que advém da experiência ou do exercício da liderança. Também não se aceita a possibilidade de as pessoas transitarem por formas diferentes de saber.
A isso tudo se soma o outro preconceito, o de que Lula não trabalha. Todo jornalista que cobre o Palácio do Planalto sabe que é mentira, que Lula trabalha de 12 a 14 horas por dia, mas ele é descrito com freqüência por jornalistas como uma pessoa indolente.
Não atino com o sentido dessa mentira, exceto se o objetivo é difamar uma liderança operária, o que é, convenhamos, uma explicação pobre. Talvez as elites, e com elas os jornalistas, não consigam aceitar que o presidente, ao estudar um problema com seus ministros, esteja trabalhando, já que ele é ”incapaz de entender” o tal problema. Ou achem que, ao representar o Estado ou o país, esteja apenas passeando. Afinal, onde já se viu um operário, além do mais ignorante, representar um país?
Fontes: João Ubaldo Ribeiro, O Estado de S. Paulo, 2/9/2007. Blog do Mino Carta, 16/11/2007. Blog do William Waack, 2/12/2007. Texto de Lúcia Hipólito no UOL, 24/07/2007. José Pastore, artigo no Estadão, 11/12/2007. Carlos Alberto Sardenberg, “De bronca com o capital”, Estadão, 10/12/2007. FilósofoPaulo Ghiraldelli, Estadão, 29/8/2007. Rolf Kunz, “Lula, o viajante do palanque”, Estadão, 29/11/2007. José Serra, em Folha On Line, 1º/8/2006, em reportagem de Raimundo de Oliveira. Gilberto de Mello, escritor e membro do Instituto Brasileiro de Filosofia, no Estadão de 2/8/2007, reproduzido no site do PSDB. Everardo Maciel, na Gazeta Mercantil de 4/10/2007. Rodrigo Maia, em declaração à Rádio do Moreno, 6/11/2007, 17h20. César Maia em seu blog, 12/11/2007. E Daniel Piza em texto do Estadão de 2/12/2007.
Bernardo Kucinski é professor titular do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA/USP. Foi produtor e locutor no serviço brasileiro da BBC de Londres e assistente de direção na televisão BBC. É autor de vários livros sobre jornalismo